
Revista
Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 172
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Hoje vamos
abordar o tema Viver para amar. Por ser essencial, o ensinamento
do amor é o primeiro entre outros da Happy Science.
Quando uma pessoa que não conhece a religião perguntar:
O que a Happy Science prega?, creio que o ensinamento do
amor é o primeiro que se deve falar. Ao explicar sobre o amor,
é possível que você note as diferenças entre
o nosso ensinamento do amor e a das religiões mais antigas, porém,
mesmo assim, eu acho bom começar por ela.
Mas
o que é o ensinamento do amor?
Muitos, particularmente os jovens, pensam que amor é
algo que se recebe, mas, na Happy Science, nós ensinamos que
esse tipo de amor é amor que rouba, não
é o verdadeiro amor. Entretanto, eu mesmo, na adolescência
e na juventude, também acreditava piamente que o amor era algo
que a gente recebia dos outros ou que os outros davam; felicidade
seria receber amor, e infelicidade seria não o receber.
Os seres
humanos sentem isso instintivamente, sem que lhes ensinem. As crianças
recebem permanentemente amor dos pais e estão convencidas de
que crescem recebendo tal amor. Quando os pais não as amam,
elas ficam frustradas, comportam-se mal, agem de maneira impertinente
e chegam a ser violentas. Aliás, muita gente continua sentindo
isso até mesmo na idade adulta. No fim da adolescência
ou no início da mocidade, as pessoas já são adultas,
mas, por estarem acostumadas a receber o carinho dos pais desde o
berço, elas sofrem quando deixam de receber o amor dos pais.
Do mesmo
modo, pensam: Eu quero ser amado pelos meus amigos. Quero ser
amado pelos professores.
Quando
começam a trabalhar, sentem: Eu quero ser amado pelos
meus colegas, pelos empregados mais antigos, pelo chefe e também
pelas pessoas de fora da empresa.
Esse sentimento
eu quero, eu quero predomina nas pessoas. Nós ficamos
contentes quando nos elogiam e nos valorizam ou quando ganhamos dinheiro
e coisas materiais. Essa é a norma. Eu não estou aqui
para negar esses sentimentos. Por exemplo, nesta época difícil,
quem não ficaria contente se recebesse 1 milhão de ienes
(o equivalente a 20 mil reais) de uma hora para outra? Ganhar um coisa
nos deixa contentes e é muito bom. Mas o problema é
que, se for só isso, a pessoa é uma adulta que não
superou a mentalidade de criança.
Criando
pessoas que dão amor aos outros
Todo mundo quer ser amado por alguém. Sendo este
o caso, a questão é: quem é que dá amor?
É
claro, há o amor de Deus ou Buda. No entanto, o amor dos espíritos
superiores e de Buda ou Deus é invisível. Aliás,
mostrar gratidão por esse amor invisível e transformá-lo
em formas tangíveis é o dever de todo fiel. Para as
pessoas que praticam a fé, é importante ser um exemplo
dando amor por Deus ou Buda.
Estando
este mundo povoado de pessoas que só querem amor, ele se tornará
um inferno de espíritos famintos. Há de se transformar
num mundo habitado por gente a clamar: Dê-me, dê-me!,
A minha fome é tanta que até dói,
Quero comer, quero comer. Alguém
tem de alimentar essa gente; nós precisamos de
quem cozinhe e forneça comida.
Precisamos
amar simplesmente porque o mundo está repleto de gente que
quer ser amada. Criar quem dê amor é um trabalho importante
e também um desejo de Deus ou Buda. Isso é de significado
sempre constante para eles, mas, quando se trata de realizar o amor,
eles intentam fazê-lo por intermédio das pessoas deste
mundo: por intermédio das palavras e dos atos das pessoas.
Fazer isso também é função da religião.
Existências
invisíveis nos protegem
Na juventude, eu também tinha a ideia errada de
que o amor era algo que eu devia receber. Pouco a pouco, o meu pensamento
a respeito do amor foi mudando e ficou um pouco diferente dos outros.
A
diferença tornou-se definitiva em março de 1981, quando
alcancei a Grande Iluminação e aprendi que de fato existe
um grande mundo espiritual no qual os espíritos superiores,
que olham por nós, guiam e auxiliam as pessoas na terra.
Para mim,
foi uma grande surpresa saber que há existências que
não podem ser detectadas fisicamente nem vistas pelas pessoas
deste mundo e que esses seres que nós nunca vimos nem ouvimos
trabalham muito para nos proteger, guiam-nos e nos dão luz
a fim de fazer felizes as pessoas neste mundo.
De lá
para cá, já se passaram vinte e tantos anos, e eu continuo
recebendo mensagens espirituais do mundo dos Espíritos Superiores.
Então eu soube que tudo me tinha sido dado; que sempre fui
muito protegido; que eles sempre procuraram me proteger e guiar; eu
achava que sofria muito, mas, o tempo todo havia anjos e bosatsus
sofrendo junto comigo, então eu vivi uma espécie de
conversão como ser humano.
Pode-se
entender conversão no sentido de regeneração
do espírito ou reviravolta da mente; seja
como for, o meu antigo modo de pensar alterou-se drasticamente.
Agora
eu vejo. Há existências no mundo invisível que
trabalham para proteger os que vivem neste mundo. Os anjos, bosatsus
e nyorais realmente existem. Tal revelação, tal
descoberta, foi um choque para mim. Um verdadeiro terremoto. Depois
disso, eu comecei a pensar: Preciso fazer alguma coisa.
Pouco
depois de eu ter alcançado a minha Grande Iluminação,
desceu sobre mim a revelação: Ame, nutra e perdoe.
Essa é uma frase muito conhecida na Happy Science que vocês
também encontram em meus livros como As Leis do Sol.
Passei
cinco ou seis anos contemplando essa frase. Foi como se um zen koan
me tivesse dado uma questão zen para meditar. Na época,
eu era recém-formado e trabalhava numa empresa, mas o meu ramo
não tinha relação direta com a revelação
ame, nutra e perdoe. Eu trabalhei muito a questão
de como colocar isso em prática. Devo
fazer o que acho que é bom para o mundo, pensei, e tratei
de trabalhar muito na empresa, ter uma atitude de amor para com os
outros, estimando-os.
Entretanto,
geralmente eu não era compreendido. Muita gente não
agia como eu. Via de regra, as pessoas fazem as coisas por interesse
próprio. De modo que alguns interpretavam os meus atos de um
modo negativo, pensando: Ele faz isso para ser promovido logo
ou receber algo em troca. Ele deve ter segundas intenções,
do contrário, por que valorizaria tanto as pessoas? Como
eu tomava café e conversava com aqueles que estavam em situação
ruim na empresa, cheguei a ficar numa posição difícil
porque me rotularam de um desse grupo. Disseram-me, Se
você quiser ser um de nós, pare de andar com gente assim.
Às
vezes, as pessoas demoram a entender a nossa verdadeira intenção
Assim, criaram-se circunstâncias contrárias
ao conteúdo da revelação. Acho que a maioria
das pessoas só compreendeu a minha verdadeira intenção
quando eu saí da empresa. O fato de eu trabalhar com muito
empenho provavelmente levou meus colegas, os empregados mais antigos
e os meus superiores a pensar que eu estava tentando ser promovido
rapidamente.
Não
era essa a minha intenção nem o motivo do meu esforço.
Eu sabia que ia ficar só mais alguns anos na empresa e me esforçava
para fazer o máximo possível enquanto estivesse lá,
tanto para retribuir a confiança que a empresa depositara em
mim como para poder sair de lá sem mágoa nem ressentimento.
No entanto,
a maioria das pessoas com que eu convivia não concebia que
alguém pudesse pensar assim. Mas, quando eu anunciei que ia
pedir demissão e dedicar a vida à religião, todos
finalmente entenderam que eu não estava lutando para fazer
carreira. Ele, que era leal à empresa, que trabalhava
dez vezes mais do que os outros, estava era estudando religião
e se empenhava no trabalho mesmo sabendo que ia embora dali a algum
tempo. Eu não sabia. Não entendi. Nunca imaginei que
existisse alguém capaz de pensar e agir dessa maneira.
Pela primeira
vez, eu recebi esse tipo de reconhecimento quando chegou a hora de
sair da empresa.
Fim
da primeira parte da palestra de duas partes.
Na segunda
e última parte da minha palestra, vou comentar o fato de as
pessoas que se pautam pelo princípio ame, nutra e perdoe
darem aos outros a impressão de não ter vontade,
e vou mostrar que o amor que os pais dão aos filhos continua
vivendo eternamente.