
Revista
Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 162
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As pessoas
que apressam a própria morte têm em comum o perfeccionismo
Eu gostaria
de refletir sobre o que leva uma pessoa ao suicídio. Neste
mundo, todos vivemos uma luta permanente pela felicidade. Não
faltam doutrinas que se propõem a ajudar as pessoas a alcançarem
a felicidade, mas é simplesmente impossível escapar
a experiência de infelicidade, Já que a felicidade existe
neste mundo, é inevitável que também exista o
seu oposto, a infelicidade.
É
justamente quando estão passando por uma situação
de infelicidade que as pessoas recorrem ao suicídio. Entre
os que o fazem, pode ser que alguns morram felizes, mas eu tenho certeza
de que se trata de uma minoria insignificante. A grande maioria morre
por se sentir infeliz.
Porque
tomar a decisão de acabar com a vida? Quando estudamos a origem
do suicídio, constatamos que as causas são numerosas.
Por exemplo, há quem se mate por estar doente. A pessoa se
convence de que não consegue agüentar a dor e resolve
se matar. Recentemente aumentaram muito os casos de suicídio
entre idosos. São inumeráveis os idosos que desistem
da vida porque o corpo combalido os transforma num fardo para a família
ou porque eles não tem mais razão para viver.
Entre os
jovens, geralmente são problemas ligados ao amor, ao casamento
ou ao divórcio que levam ao suicídio. Por outro lado,
quando ocorre uma recessão econômica prolongada, muita
gente se mata por motivos financeiros. No esforço para sair
das dificuldades econômicas. Muitos decidem pôr fim à
vida. Embora representem um percentual reduzido, também há
os que se matam por razões do honra. Gente em posição
proeminente, como os políticos, quando envolvida com um crime
ou um escândalo, às vezes acha preferível uma
morte honrosa a uma vida de opróbrio.
São
muitos os motivos que levam as pessoas a viver como filhas de Deus
ou Buda, mas o que eu tenho a dizer é o contrário. Os
que se suicidam tendem a esperar perfeição tanto de
si próprios quanto daqueles que os cercam, e é essa
obsessão pela perfeição que leva tanta gente
a se precipitar a morte.
Esses indivíduos
têm pouca resistência ou imunidade às críticas,
fracassos e decepções da vida. O motivo é eles
serem excessivamente perfeccionistas tanto em relação
a sis mesmo como também em relação aos demais.
Os serem
humanos são criaturas imperfeitas
Se você
olhar para si objetivamente, vai ver que ninguém pode ser perfeito.
Assim como você é imperfeito, todos à sua volta
são, é impossível esperar perfeição
de si próprio, assim como é impossível espera-la
dos outros. Apesar disso, são incontáveis aqueles que,
na busca da perfeição impossível, acabam vivendo
de uma forma imperfeita.
Ninguém
que se diga perfeccionista leva uma perfeita. Geralmente, quem afirma
tal coisa tem uma existência das mais imperfeitas. Muitos não
agem como a maioria e, pelo contrário, fogem das batalhas que
precisam ser travadas e se esquivam das coisas que precisam ser superadas;
mesmo assim garantem que são perfeccionistas.
Trata-se
de uma evasão de responsabilidade, de uma fuga do fracasso.
É uma declaração: "Eu já não
quero continuar lutando". Dê a isso o nome que quiser:
perfeccionismo, narcisismo, a busca do belo em si e nos outros, pouco
importa; quem aspira muito a perfeição e se empenha
excessivamente em encontrar a beleza acaba levando uma existência
particularmente feia.
É
mais ou menos como aquele que se recusa a usar roupa que não
seja nova em folha. Quando está suja, a roupa pode ser lavada
em casa ou na tinturaria e voltar a ser usada. Embora já não
seja nova em folha, na vida normal, nós a consideramos tão
boa como se fosse e não hesitamos em vesti-la. Do mesmo modo,
a pessoa não deve ser narcisista demais, ou se exigir demais.
Não
tem sentido pensar que, pelo fato de você ter fracassado uma
vez, a sua existência está liquidada. Agir desse modo
é o cúmulo da ingratidão para com aqueles que
dedicaram várias décadas criando-o, protegendo-o e estimulando-o.
A vida não é assim. Esse tipo de existência, na
qual você oscila de um extremo emocional para outro, exige uma
reflexão séria.
Portanto,
ainda que seja importante pensar-se um filho de Buda ou um filho de
Deus, também é necessário aceitar um o fato de
que, até certo grau, os seres humanos são criaturas
imperfeitas. Enquanto você tiver neste mundo, enquanto viver
dentre de um corpo humano, haverá um grau de imperfeição.
Neste mundo, é impossível ter uma existência perfeita
em termos espirituais. A gente vive a vida diante de todos os tipos
de resistência, de modo que não há outro modo
a não ser viver de forma imperfeita. Em conseqüência,
haverá fracassos e reveses, mas é justamente por isso
que todos podem praticar a reflexão e aprender. Assim, nós
amargamos o fracasso, e as coisas nem sempre são como queremos,
mas essas experiências nos permitem ganhar novas idéias
e levar uma existência melhor.
Aceite
o seu modo desajeitado
O importante
não é viver uma vida perfeita, e sim uma vida melhor.
Eis uma coisa que todos devem infundir no coração. Ao
dizer isso, eu não o estou aconselhando a ser negligente no
estudo ou no trabalho. Quando digo, "Você não precisa
ter uma vida perfeita", não pense que estou dizendo para
negligenciar no trabalho. Quem agir assim será repreendido
pelo chefe e terá vontade de se suicidar; portanto, eu quero
deixar bem claro que não recomendo a ninguém descuidar
do estudo ou do trabalho.
O que eu
quero dizer é que a pessoa que se culpa com demasiado rigor
e sofre a ponto de não poder conciliar o sono à noite
deve procurar não ser tão perfeita. Disponha-se a aceitar
somente oitenta por cento de perfeição; o mais importante
é viver a vida até o fim. Em vez de procurar ter uma
vida perfeita, uma existência sem falhas ou sem dor, o importante
é optar por uma vida melhor.
Embora
você aspire a se desenvolver espiritualmente, num esforço
para se aproximar mais de Buda ou Deus, convém perceber que
você não é Buda nem Deus. Enquanto viver neste
mundo, vai enfrentar dificuldades e cometer erros todos os dias. Por
isso convém aspirar ter uma vida melhor.
Você
deve levar em conta de que "embora os seres humanos sejam filhos
de Buda ou Deus, enquanto viverem aqui na Terra, eles há de
ser criaturas imperfeitas, desajeitadas". Aceite o seu modo imperfeito
e desajeitado de ser. Você está aqui na Terra a fim de
treinar a alma. Está estudando numa escola da alma e, por esse
motivo, será perdoado por ser como é. É importante
agüentar isso e desenvolver um coração que perdoa.