
Revista
publicada pela Ciência da
Felicidade em maio de 1997
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4. A Receita
Contra o Complexo de Inferioridade
Na edição
anterior abordei o problema do fracasso. O complexo de inferioridade
tem como causa direta o fracasso, mas a sua raiz é muito mais
profunda.
Se fizermos
uma análise das suas angústias e aflições,
na maior parte das vezes, descobriremos que elas têm origem
no complexo de inferioridade. Neste mundo, não há ninguém
que não tenha algum tipo de complexo.
Então,
afinal, de onde vem o complexo de inferioridade? Vamos pensar juntos.
Se todos têm este complexo, e se ele é a causa das aflições,
precisamos dar-lhe um "tratamento culinário".
Existem
algumas maneiras de "cozinhar e temperar" o complexo de
inferioridade. A mais elementar é aquela que o transforma numa
mola propulsora da vida. Aliás, este método já
foi recomendado na edição passada para superar o fracasso.
Ele é prático e muito utilizado nas nossas vidas. Todavia,
se dependermos exclusivamente desde método, talvez não
possuamos nos tornar totalmente bem-sucedidos em termos de elevação
espiritual e paz interior.
Um exemplo
típico é o caso de pessoas exibicionistas. Geralmente,
a mola propulsora destas pessoas é o complexo de inferioridade.
Por mais que se destaquem, elas não se sentirão satisfeitas,
pois têm consciência de que todo aquele sucesso é
para acobertar o complexo.
Ao observar
certos atores de televisão, vejo que eles também têm
complexos de inferioridade. Apesar de serem bem-sucedidos, a mola
propulsora é o complexo. Mesmo alguns que estão na terceira
idade, continuam fazendo uso dela, e se dedicam a fazer ainda mais
sucesso para apagar o complexo de inferioridade. Lamentavelmente,
eles não sabem que, ao continuarem agindo assim, não
conseguirão extingui-lo jamais.
Quanto
maior o complexo, maior também será o impulso da mola.
É até possível que se consiga muito sucesso no
mundo material, todavia, infelizmente, não é assim que
se consegue a elevação e satisfação espirituais.
Há
certo escritor no Japão que aparece nos programas de televisão,
participa em inúmeros seminários e faz muito sucesso.
Apesar de ter um grande respeito pela sua competência, sei que
ele também tem um grande complexo de inferioridade.
No seu
caso, o complexo está relacionado com aparência física.
Uma outra causa é a sua inconstância, sua impaciência
em se aprofundar em qualquer dos seus trabalhos. Ele usa essas deficiências
e tenta transformá-las em qualidades positivas, envolvendo-se
em diversas áreas de estudo. Apesar disso, sinto que não
conseguiu a elevação e paz espirituais.
Basta bater
o olho e sinto nele estes dois complexos de inferioridade. Embora
tenha uma grande admiração pelo seu trabalho, creio
que ele seria mais grandioso se conseguisse aquele estado espiritual.
Há
ainda mais um intelectual, líder de opinião da sociedade,
bem-sucedido na vida, a quem dedico um grande respeito. Ele é
bastante estudioso e dedicado, um profundo conhecedor da história
e um homem de grande visão. Com toda sua capacidade, ainda
assim ele tem um complexo de inferioridade.
Ao ler
suas obras, vejo que o seu complexo é devido à sua formação
acadêmica, que foi numa universidade pouco respeitada. Ele tem
uma grande dificuldade em apagá-la da memória. Sua capacidade
intelectual é extraordinária, bem acima da média
dos que se formam em universidades de primeira linha. Mesmo assim,
passadas algumas décadas, não consegue ainda se conformar
com o seu currículo escolar.
Tal sentimento
tem servido de mola propulsora para os seus trabalhos, mas sinto que
ele não atingiu a elevação e satisfação
espirituais, o que é uma pena. Tenha vontade de lehe dizer:
"Você é muito bom. Tenha mais confiança em
si mesmo".
Por outro
lado, pessoas como Shusaku Endo - grande escritor contemporâneo
japonês - superaram seus complexos. Suas obras continuam abordando
muitos dos seus fracassos do passado. Ele também foi bem-sucedido
em transformar os fracassos em sucesso. O fato de escrever sobre seus
fracassos demonstra que ele possui muita confiança no seu trabalho.
Ele era
complexado em relação ao seu irmão mais velho
que era muito inteligente. A superação do complexo de
inferioridade através de sucesso profissional e a transformação
de experiências de insucesso em contos humorísticos são
realmente fantásticas. O mais interessante é que o passado
não lhe deixou mágoas, e sim, humor. Quando alguém
consegue contar os outros suas histórias de fracasso em forma
de humor é porque o complexo de inferioridade já está
praticamente extinto. Eis a meta que devemos buscar.
Todos têm
algo no passado que não gostariam de revelar. Não é
verdade? Temos vergonha de contar. E o que devemos fazer para transformar
o passado em contos bem-humorados?
Creio que
o importante é conquistar um sucesso tal que sejam capazes
de extinguir as lembranças de insucesso, as deficiências
na personalidade e a incompetência. Uma vez adquirida a experiência
de sucesso, tal que lhe dê a convicção de ser
sólida e verdadeira, você será capaz de transformar
o complexo em humor, de fazer dele uma piada, e revelar aos demais.
Seja capaz de confortar os complexos revelando-lhes que você
também teve o mesmo problema.
Assim,
a receita para superar o complexo de inferioridade é, no primeiro
instante, transformá-lo em mola propulsora do sucesso e, depois,
ter a convicção deste sucesso. Além da sua convicção,
o sucesso deve ser confirmado pelos outros, pois assim teremos a tranqüilidade
necessária.
O próximo
passo é ensinar este caminho aos demais. Ao invés de
esperar que todos passem pelo mesmo sofrimento, ou mesmo de pisar
no calo alheio, devemos confortá-los contando suas experiências
de maneira bem-humorada e ensinar-lhes o caminhos da vida. Creio este
seja o ponto fundamental ao qual devemos chegar.
Tenho muita
pena de pessoas já na terceira idade que continuam empenhadas
em se auto-promover. Elas deveriam estar contando suas experiências
de erros e fracassos aos jovens como uma receita da vida. O homem
na terceira idade tem a tendência de contar vantagens, no entanto,
é preciso pensar nos problemas que muitos estão enfrentando
e procurar amenizar seus sofrimento, falando de suas experiências
passadas de insucesso.
Ao invés
de ocultar os erros e contar vantagens, abram seus corações
e sejam capazes de fazer da vida um humor. Tenham isso como uma meta
da vida. Não fiquem apontando os erros dos jovens; não
digam que nas suas épocas as coisas não eram assim.
Certamente vocês tiveram muitas experiências. Tenham,
então, a coragem de expor seus erros.
Somente
quando o fizerem, podem se considerar bem-sucedidos. Enquanto sentirem
a necessidade de "enfeitar o pavão", não terão
ainda atingido a elevação e serenidade espiritual. Para
consegui-la é preciso que sejam capazes de expor seus fracassos
e complexos de inferioridade, com muita sinceridade e naturalidade.
Se depois de revelado ficarem arrependidos a ponto de não conseguirem
dormir a noite é porque aquele ato não foi natural e
sincero. É preciso que haja naturalidade nos seus conselhos
baseados nos erros do passado.
O homem
sente conforto e tranqüilidade quando encontra uma semelhante,
embora este sentimento não seja muito recomendável.
A tranqüilidade se consegue especialmente tem também um
passado de fracasso. Portanto, os mais experientes devem transmitir
coragem e esperança aos demais, mesmo porque as histórias
bem-humoradas de erros são capazes de amenizar as tensões
da vida.
Quero que
pensem bem sobre isso. Ao invés de dizer aos jovens que estão
errados, tenham a grandiosidades de expor seus próprios erros.
Ao ouvir
suas histórias, certamente, aqueles que estão enfrentando
problemas semelhantes se sentirão encorajados a batalhar.
Os problemas
da vida se tornam angustiantes quando você os monopoliza e os
mantém ocultos dentro de si. Quando você compartilhar
os seus problemas com os demais, metade do caminho já estará
transposto. Quando começar a perceber que todos têm os
mesmos problemas, você será capaz de encontrar a saída.
Portanto,
ao estudar os aspectos da vida que afligem igualmente a todos, você
estará conhecendo o homem. Podemos conhecer a nós mesmos
e aos ser humano em geral, pesquisando os diferente tipos de problemas
da vida.
5.
Deixem de Amar a Infelicidade
Muitas
coisas foram abordadas até aqui. Afinal, o que devemos fazer?
Na verdade, existe uma maneira correta de encarar os problemas, e
creio que ela seja bastante convincente; basta raciocinarmos: "Qual
é o modo de encarar a vida que me fará bem?"
Quando
você está aflito em resolver os problemas da vida, o
seu coração se divide em mil pedaços e você
fica perdido e confuso em meio a um milhão de pensamentos e
sentimentos. Neste momento, você deve imaginar qual é
o modo de pensar mais benéfico para si. Faça esta indagação
e terá a resposta.
Podemos
aplicar este conceito aos resultados dos exames feitos na Ciência
da Felicidade. Sempre que se trata de exame, uns passam e outros não.
Há aqueles que mesmo sendo aprovados ficam irritados com suas
notas. Parece piada mas é verdade.
Digamos,
por exemplo, que a nota de corte seja 7, e uma pessoa tenha conseguido
7,1, o seu orgulho diz que merecia 9. Assim, apesar de ter sido aprovado,
há quem seja capaz de apresentar queixas na secretaria furiosamente.
Mesmo que
a nota tenha sido 7,1, existem diversas maneiras de analisar esse
resultado.
Uns poderiam
ficara com ódio por ter sido a pior nota dentre os aprovados;
outros poderiam pensar: "Puxa, fui aprovado mesmo sem estudar.
Isso é uma graça divina. Ele me ama". Portanto,
existem maneiras diversas de encarar a mesma situação.
Então,
basta raciocinar: qual das duas maneiras traz mais felicidade a si?
No caso acima, parece-me que o segundo é mais feliz. Mesmo
que acredite merecer nota 9, é possível pensar da seguinte
maneira: "Na verdade eu merecia pelo menos 9, mas provavelmente
os examinadores da Ciência da Felicidade a rebaixou para que
eu não me tornasse arrogante. Realmente sou muito grato a eles".
Enfim, pense no modo de encarar a vida lhe trará a felicidade.
Caso escolha
o modo infeliz ninguém poderá assumir a responsabilidade
pelas seua conseqüências. Você terá de sofre
sozinho, pois foi você quem escolheu. Este é apenas um
exemplo, mas coisas semelhantes acontecem com freqüência.
Portanto, todas as vezes que surgirem situações difíceis
de serem resolvidas, procure raciocinarem quais são os possíveis
modos de pensar. Se encontrar muitas opções, pense na
melhor maneira de encarar o problema.
Esta é
a pergunta que costumo repetir: "Talvez você esteja passando
por problemas, mas afinal, você quer ou não ser feliz?"
Se sim, tome a decisão de ser feliz. Uma vez dado este primeiro
passo, automaticamente você saberá o que fazer.
Acontece
que a maioria não sabe se quer ser feliz ou não. Isso
eu percebo claramente quando atendo as consultas sobre os problemas
da vida. A maioria não sabe o que quer. Diria até que
a maioria ama a infelicidade.
Por exemplo,
muitos justificam seus problemas em função do destino
ou do carma. Com freqüência eles racionalizam seus problemas.
O homem tem a tendência de racionalizar tudo. Há quem
diga: "Se Jesus sofreu, eu também tenho que sofrer".
Não só racionalizam seus problemas como também
os legitimam.
Portanto,
em primeiro lugar, pense: "O que me fará bem, e o que
eu quero?" Se optar pela infelicidade, já não podemos
fazer mais nada. Por mais que Deus queira salvá-lo, não
será capaz, se você quiser se afundar. Isso faz parte
do livre-arbítrio de cada um. Nada podemos fazer em relação
àqueles que optam pela infelicidade. Portanto, o importante
é, quer optar pela Felicidade.
A tendência
de amar a infelicidade é uma realidade. Há quem a ame
realmente. Eles não querem sair dessa situação.
Adoram estar em água morna. Não conseguem sair disso.
Eles se sentem desagasalhados quando lhes tiram a infelicidade. Sentem
que uma outra infelicidade não virá enquanto estiverem
vestindo a atual. Por isso a amam e a guardam com carinho.
Talvez
você não perceba a sua tendência de amar a infelicidade.
Neste caso, procure observar e pesquisar os outros, pois assim será
mais fácil. Procurem alguém próximo que ame a
infelicidade. Ao encontrar este alguém que esteja agarrado
à infelicidade, reveja a si e faça uma comparação.
Se encontrar
a mesma tendência em si, perceba que a infelicidade não
foi criada por Deus, nem por anjo guardião, nem por ninguém;
saiba que foi você quem optou. Somente quando você estiver
ciente disso será possível largar o agasalho da infelicidade.
Será que você está entendendo o significado do
que seja amar a infelicidade? Estamos todos sujeitos a cair nesta
armadilha. Acabamos caindo, sem saber o quanto somos abençoados.
Uma das maneiras de conferir essa tendência é o sentimento
de gratidão. Não estará faltando tal sentimento?
Os mais
típicos dos que amam a infelicidade são aqueles que
estão em plena crise de fracasso e de complexo de inferioridade.
Estes só sabem pensar em si mesmos. Só querem ser amados.
Estão dominados pelo amor possessivo. Perto deles, sentimos
nossas energias serem sugadas. E é por isso que eles acabam
sendo colocados de lado.
Assim,
uma vez que você já conhece as técnicas a serem
utilizadas, quando perceber a tendência de amar a infelicidade,
você terá duas direções a seguir.
O amor
pela infelicidade é um estado de cobrança de atenção
e carinho, portanto, você deve reverter essa tendência
passando para o lado dos doadores. È fundamental você
se tornar alguém capaz de sentir a felicidade alheia com sendo
sua. Mude o seu modo de pensar para que possa sentir a felicidade
a partir da felicidade alheia.
Os que
têm a tendência de amar a infelicidade sentem-se humilhados
e prejudicados pela felicidade alheia, e ao mesmo tempo não
querem sair da infelicidade própria.
Portanto,
pratique o ato de se doar. Mude-se no sentido de estar sempre com
a atenção voltada para o seu próximo; quando
conseguir, seus problemas estarão extintos. Esta é a
direção principal.
O passo
seguinte - que é bastante parecido com o anterior - é
o espírito de congratulação. Se você não
tiver este sentimento jamais conseguirá escapar da infelicidade.
É muito importante aceitar as pessoas felizes. Esta aceitação
significa a sua aproximação em relação
a elas.
Quem é
capaz de aplaudir uma pessoa maravilhosa já eliminou a tendência
de amar a infelicidade.
Saber dizer
o quanto ela é maravilhosa é fundamental. Alguém
assim não consegue ficar preocupado somente consigo. Quem aceita
e elogia o faz porque tem admiração pelo outro. O ciúme
é um sentimento que não se pode ter, muitos menos o
desejo de prejudicar os outros.
Nos jornais
japoneses existem jornalistas que só pensam em prejudicar as
pessoas bem-sucedidas. Com esse espírito nunca serão
felizes. Ao encontrar qualidades nas pessoas, os jornalistas devem
desejar serem iguais, além de estimularem os leitores no mesmo
sentido. Sem isso, vocês não conseguirão sair
do poço da infelicidade.
Foram dois,
os temas abordados no final desta mensagem com o título "Sinalização
para a Felicidade": Primeiramente, praticar o "Amor que
se Dá"; depois, criar o "Sentimento de Felicitação
Sincera" às pessoas felizes. Creio que estes sejam os
espíritos imprescindíveis para ser feliz.
Por favor,
aplique-os e resolva os problemas contidos na coletânea de exercícios
da vida.