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3.
As Causas do Sentimento de Fracasso como Combatê-las
Vamos bordar
primeiramente o sentimento de fracasso, analisando em qual situação
o homem adquire este sentimento. Muitas vezes, em função
da nossa auto-imagem, temos certas expectativas tanto em relação
à forma como seremos tratados por outros, como também
em relação aos resultados que somos capazes de conseguir.
Contudo, nem sempre a vida é como esperamos, e em seguida, surge
o sentimento de que não somos capazes de suportar tal decepção.
Nem sempre o erro está nas nossas expectativas. De fato, nem
sempre somos devidamente valorizados. E como conseqüência,
nos sentiremos fracassados.
Porém,
mesmo que o mundo tenha sido injusto com você, se o fracasso for
um estado permanente do seu coração, ele acabará
se tornando verdadeiro. Enquanto você se julgar um fracassado,
não conseguirá se livrar desta situação
e nessas circunstâncias, existem três tipos possíveis
de postura psíquica: A primeira é a de aceitar silenciosamente.
É a postura psíquica de aceitação da realidade.
A segunda é a de lançar novos desafios contra o mesmo
problema, não se dando por vencido, por tantas vezes quantas
forem necessárias. A terceira é a de procurar uma nova
saída. Trata-se de um pensamento que procura um método
alternativo, revertendo completamente o modo tradicional de se pensar.
Basicamente, são estas, as três posturas possíveis.
1) Aceitação
silenciosa
A aceitação
silenciosa pode parecer uma solução muito passiva, no
entanto, ela pode ser uma das chaves para o sucesso na vida. Pois o
fracasso, na verdade, não é tão grande quanto imaginamos.
Temos a tendência de supervalorizar as coisas, e achamos que elas
são do tamanho do mundo. A realidade, porém, nem sempre
é tão grave.
Um problema
- de muita gravidade para quem está enfrentando - pode ser normal
para outros. Um erro - imperdoável e desonroso para quem cometeu
- pode ser trivial para outros. Assim, muito escândalo e drama
são feitos por quem está vivendo o problema, o que acaba
aumentando ainda mais as aflições e os sofrimentos. É
isso o que ocorre comumente na vida real.
Numa situação
assim, procure observar a si mesmo com uma certa distância. Procure
analisar quantos podem estar vivendo situações semelhantes.
Assim, poderá perceber que, o que era um problema enorme para
si não tem uma dimensão real, e que na verdade, era você
quem o transformava em um monstro. Embora esta maneira de enfrentar
o fracasso possa parecer muito passiva, não podemos deixar de
reconhecer seu valor em diversas situações da vida. O
mundo não age como queremos. Isso vale tanto para vocês
como também para mim. Não é possível manipular
os pensamentos alheios de moda a fazer com que todos ajam conforme o
meu desejo.
Esta incapacidade
poderia ser interpretada como um fracasso individual, mas é fundamental
sermos realistas e analisar objetivamente as nossas possibilidades.
Portanto,
esta não é em absoluto, uma idéia passiva. Na verdade,
esta personalidade descontraída é muito eficaz para combater
as aflições e as agonias da vida.
Observem
os sofredores. São geralmente sensíveis e preocupados.
Vivem aflitos, num círculo vicioso, falando sempre a mesma coisa.
Em suma, não são descontraídos, soltos. Num certo
sentido, são obsessivos. É esta personalidade que gera
as aflições, no entanto, eles preferem culpar os outros,
o que é um grande erro.
É
este o alerta que faço quando digo que "duas pessoas, embora
sob iguais circunstâncias, pensam e agem de maneiras diversas".
E digo mais: "Talvez você pense estar enfrentando um grande
problema teria outra dimensão. Por exemplo, se fosse uma outra
pessoa o problema teria outra dimensão. Por exemplo, se fosse
um Espírito Superior, ou eu mesmo, as conseqüências
deste mesmo problema seriam bem diferentes".
As conseqüências
não são decorrências diretas do problema em si.
Mesmo o estado do coração não é um fruto
imediato do problema. Tudo é fruto da pessoa, e depende muito
da tendência psíquica ou da personalidade de cada um. Portanto,
digo àqueles que desejam eliminar as aflições que
elas não precisam ser eliminadas; basta não produzi-las,
pois são vocês que as produzem.
Um fracasso
na vida pode se transformar em sofrimento de dez anos para uma pessoa,
se ela continuar se amargurando por todos esse tempo; o mesmo fracasso
pode encerrar em um ou dois dias, se ela for despreocupada, ou "cuca-fresca".
Quem assumiria
as responsabilidades daquelas conseqüências? De quem seria
a culpa, se ela se magoou em função das palavras rudes
e sofreu por dez anos? Daquele que a magoou, ou dela mesma? Por mais
que o outro estivesse errado, foi ela quem guardou a mágoa por
tanto tempo. Se quisesse, ela poderia ter esquecido.
Quero que
guardem bem no coração: "O criador da agonia somo
nós mesmos. Se você tem a tendência de se amargurar,
não fique racionalizando; faça primeiramente uma análise
da sua própria personalidade. Se concluir que é do tipo
que se angustia facilmente, tome a decisão de mudar sua personalidade
e se tornar uma pessoa mais desapegada e despreocupada. A decisão
é o primeiro passo da mudança".
Tendo no
coração o desejo de mudar e de adquirir uma personalidade
livre e descontraída, aos poucos, você conseguirá.
Se ao invés disso, sentir-se vítima da perseguição
e alvo das críticas alheias pelos erros do passado, jamais conseguirá
libertar-se.
Descontraia-se.
Uma vês descontraído, há duas posturas fundamentais
que você deve assumir. Primeiramente, transforme aquele fracasso
em lições de vida. Depois, acredite que aquele fracasso
é o início de uma grande guinada na vida. Pense que haverá
uma nova chance, melhor que a primeira.
Este postura
é de suma importância e faz parte da "Teoria da Reversão
Iluminista". Ao invés de nos acharmos fracassados, vamos
acreditar que aquele fracasso será o estopim de algo melhor.
Esta reversão do pensamento é fundamental, pois do contrário,
mesmo que surja uma nova oportunidade, esta nos parecerá uma
continuidade do fracasso anterior. Passado o sofrimento, conseguiremos
entender o significado do fracasso, porém, dentro dele, será
muito difícil aceitar. Mesmo assim, é possível
tirar uma lição daquela situação e procurar
um novo caminho do desenvolvimento.
Portanto,
estas atitudes devem fazer parte da mudança da personalidade.
Há
um outro sentido em deixar de ser uma pessoa agoniada, ou seja, observar
o problema a partir de um grau superior.
No caso,
por exemplo, de aflições juvenis, os jovem costumam entrar
em um círculo vicioso sem saída. Se fosse alguém
experiente diria: "Esse problema eu já enfrentei há
trinta anos". Se os jovens acatassem a sua sabedoria, talvez o
problema seria resolvido facilmente.
Assim, a
avaliação dos problemas e das suas conseqüências
deve ser feita a partir de um ponto de vista superior; isto é
uma questão de treinamento. Ao praticarmos, conseguiremos ter
uma visão global do problema, e entenderemos o que está
acontecendo efetivamente. O problema pode ser mais simples do que parece.
Portanto, use a criatividade para praticar tal maneira de ver os problemas.
Com isso, será possível ver tudo de forma mais desapegada
e descontraída.
2) Lancem
desafios repetidas vezes
Falei que
uma outra postura é a de desafiar as mesmas dificuldades repetidas
vezes. Este é também um dos caminhos viáveis; é
uma questão de "garra". Muitas vezes, ela é
capaz de abrir caminho. O caminho se abrirá quando você
lutar, fazendo dela uma mola propulsora.
Creio que
esta postura tenha seus méritos, pois a vida não produzirá
nenhum fruto se desistirmos com facilidade.
Quando acreditarmos
num caminho, é preciso lutar por esta crença até
onde for possível. A nossa personalidade estará se elevando,
através desta postura. Transformar os erros em mola propulsora
é um pensamento de fundamental importância.
Contudo,
é melhor não se preocupar tanto em apagar os traumas do
coração, que têm origem nos erros do passado. Ao
invés disso, devemos nos concentrar no engrandecimento do próximo
sucesso.
Ao invés
de se fixar nas manchas de tinta, é melhor se dedicar em pintar
todo o resto com cores maravilhosas. Os erros do passado, nada podemos
fazer para mudar. Ao menos, temos de aprender a lição.
Procurar aumentar significativamente o próximo sucesso, e não
permitir que derrotas e fracassos do passado motivem sua própria
punição eternamente.
3) Desbravem
um caminho alternativo
Bem, a terceira
postura é a de desbravar um caminho alternativo. A isso, costumo
chama de "descoberta da chave". De fato, com freqüência,
caminhos inusitados podem ser encontrados em locais inesperados. Uma
porta de fuga pode estar numa direção inesperada.
Conseguiremos
entender bem o significado da descoberta da chave quando usarmos a criatividade.
Quanto mais usarmos, mais facilmente encontraremos o caminho alternativo.
Inconscientemente,
acabamos nos tornando escravos do hábito. E, quando a derrota
não sai da nossa consciência, acabamos nos tornando escravos
da derrota e do fracasso. Assim, em diferentes situações,
acabamos cometendo o mesmo tipo de erros. Nessas ocasiões a saída
alternativa passa a ser fundamental.
Esta visão
pode ser também chamada de "Teoria da Diversificação".
A diversificação da vida pode ser muito importante quando
estivermos para enfrentar algum problema na nossa vida. Este conceito
não é nada difícil. Ele é muito aplicado
inclusive em times de beisebol. Antigamente, um arremessador jogava
todos os sets de uma partida com base na sua força de vontade:
hoje, o técnico prepara alguns arremessadores e eles são
escalados em diferentes fases do jogo: no início, no meio e nos
sets decisivos. O ideal seria ter um arremessador capaz de agüentar
o jogo do começo ao fim, mas a realidade nem sempre é
assim. Nas horas de dificuldades, precisamos contar com saídas
alternativas. Tendo alguns jogadores reservas, será viável
a superação das dificuldades independentemente das estratégias
adversárias. Por melhor que seja o arremessador não será
possível vencer todas as partidas. Sempre haverá derrotas
e, nestes momentos, devemos ter uma alternativa, ou seja, temos de diversificar.
O que fazer
então nas nossas vidas, quando o jogo começar a endurecer?
Temos de prever tais situações. Creio que seja necessário
aprimorar diferentes técnicas, já prevendo usa-las como
saídas alternativas.
Vez ou outra
pode ocorrer de um determinado jogador vencer sozinho a partida fazendo
muitos pontos. Isso pode até ser bonito, mas é por pouco
tempo. É uma realidade que não podemos escapar, pois ela
é como o sucesso: todos buscam, mas poucos conseguem. Muitos
choques podem ocorrer, e planos emergenciais são necessários.
E como conseguir?
Primeiramente, tendo a consciência de que uma das causas da transformação
do fracasso num monstro é a fixação numa única
meta. Ter uma idéia fixa pode ser importante, porém se
isso se transformar em apego, os danos do fracasso serão irreparáveis.
Este modo
de pensar é semelhante aos casos dos jovens que decidem precocemente
a profissão, limitando assim a própria vida. Tem-se a
impressão de que eles esqueceram que o homem possui possibilidades
infinitas.
Na vida é
fundamental que os caminhos alternativos sejam preparados, enquanto
nos empenhamos em enfrentar e solucionar as dificuldades presentes.
As alternativas devem estar sempre disponíveis, pois uma delas
poderá se tornar a grande saída.
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