Sábado, 04 de setembro de 2010  
 
Histórias de Experiência de Vida
A vida é um Caderno de Exercícios
Em cada número, apresentamos a experiência de vida de alguém, de qualquer lugar do mundo, que pratica os ensinamentos universais da Happy Science e deles se beneficia. Cada história revela a eficácia real com que essa doutrina leva a felicidade para as pessoas

À beira do divórcio e de volta
por Shoko Hasegawa
Paixão
Eu já o tinha visto algumas vezes na minha loja de motocicletas preferida, mas só o conheci quando ele convidou-me para jantar. Era engenheiro e adorava atividades ao ar livre, de modo que não tardou para que começássemos a praticar juntos nossos hobbies, fazendo excursões de moto, reparando nas mesmas coisas e rindo nos mesmos momentos. Eu me sentia lisonjeada com o fato de ele viajar mais de uma hora para me visitar, fosse nos fins de semana, fosse nos dias úteis. Atraída pela sua energia, confiança e franqueza, eu me casei com ele. Tinha 24 anos; ele, 29.

Construímos uma casa no mesmo ano em que nos casamos. Durante a semana, ambos trabalhávamos, mas os fins de semana, sempre os passávamos juntos. Foi um período feliz para ambos. Porém, pouco mais de um ano depois, eu notei que ele andava diferente, muito mais sério e calado. Embora isso me deixasse preocupada, não tive coragem de lhe perguntar o que estava acontecendo. Só o soube quando ele tomou a iniciativa de me contar. Ocorre que meu marido e um amigo tinham feito um investimento que dera em prejuízo e, agora, estávamos com uma dívida de quase 100 mil dólares.

Cem mil dólares! Eu estremeci ao saber. Como iríamos pagar tanto dinheiro e, ainda por cima, amortizar o financiamento da casa? E como conseguiríamos sobreviver? Agoniada com a necessidade de dar um jeito de equilibrar o orçamento, lembrei-me de uma vendedora de seguro que uma vez me disse: “Neste negócio, não é impossível ganhar 100 mil dólares por ano se você se empenhar.”

Tal possibilidade me animou. Em pouco tempo, arranjei colocação como agente de vendas de seguro de vida e passei a trabalhar com afinco para pôr dinheiro em casa. Só depois foi que contei ao meu marido que havia mudado de emprego -- a ideia não lhe agradou, mas como era ele quem nos tinha enterrado em dívidas, não me fez pedir demissão.

Foi por pura coincidência que comecei a trabalhar na indústria de seguros, mas resultou que me dei muito bem com a atividade. Tive sorte com os clientes e, em breve, graças ao meu desempenho, destaquei-me entre centenas de outros agentes de vendas. Os clientes eram a minha prioridade máxima, e, quando lhes convinha, eu não hesitava em agendar contatos à noite e nos fins de semana. Naturalmente, comecei a passar cada vez menos tempo com o meu marido. Embora eu ganhasse cada vez mais dinheiro, ele não só não gostava daquilo como se queixava incessantemente. Eu não entendia o porquê de tanta reclamação, afinal eu trabalhava fora e cuidava de nossa casa. Farta daquilo e vendo que as nossas finanças estavam mais administráveis, passei a sair com frequência, ia jantar com amigos e gastava o meu dinheiro em coisas que queria. Tinha orgulho de trabalhar e ganhar tanto quanto um homem. A essa altura, o meu marido era pouco mais que um colega que morava n a mesma casa, e, pouco a pouco, começou a me ocorrer a palavra “divórcio”.

Separação
“Você não para mais em casa. O que está acontecendo?”. Um dia, o meu marido questionou seriamente o meu comportamento. Eu confessei bruscamente o que já havia tempo me passava pela cabeça: “Estou farta de suas reclamações: quero me divorciar!” “Que história é essa?!? Não, de jeito nenhum!” A sua objeção foi tão veemente que fiquei surpresa. “Por quê? Não faz sentido continuar nesta relação.” Mas ele se recusou obstinadamente. Como eu também não estava disposta a voltar atrás, nós não fazíamos senão brigar, e muito, toda vez que nos encontrávamos: eu exigindo o divórcio, ele a recusá-lo peremptoriamente. Ameaçou levar o caso à Justiça e, às vezes, se enfurecia tanto que chegava a ficar violento.

Visita inesperada
Fazia um ano que estávamos nessa situação quando, uma noite, visitantes inesperados bateram à porta. Era um colega do meu marido e sua esposa, aos quais ele pedira que nos ajudasse a resolver o nosso problema. “Nós vivemos gritando um com o outro e a vida que estamos levando não tem nenhum futuro”, explicou.

O casal escutou as duas versões da história com uma calma e uma paciência que me causaram admiração. Eles tinham uma qualidade de caráter diferente da de todas as pessoas que eu conhecia. Soube que eram membros da Happy Science, que eu conhecia um pouco, pois o meu marido às vezes lia seus livros e revistas. Eu também havia lido parte do material escrito sobre o trabalho e achava interessante o que dizia. Aquele encontro deixou-me mais intrigada com a instituição.

Em busca de uma solução
Dias depois, o meu marido e eu visitamos o templo mais próximo da Happy Science e expusemos o nosso problema ao monge. “Não é verdade!”, exclamou o meu marido, interrompendo- me quando eu falava. “Não é verdade por quê?”, retruquei. E nós começamos a brigar na presença do monge. “Os dois têm uma parcela de razão, mas o que vocês acham de estudar a doutrina e depois tratar de usá-la para decidir o que fazer?” Ele nos acalmou e propôs que prometêssemos estudar e praticar os ensinamentos ingressando como membros. O meu marido concordou, mas eu hesitei um pouco, embora sentisse que algo podia mudar se eu entrasse na Happy Science. Sabia que era preciso fazer alguma coisa para dar um jeito em nossa vida, de modo que também assumi o compromisso.

Embora nos dedicássemos a estudar e praticar a doutrina, nós o fazíamos separadamente. Ele ia ao templo sozinho, e eu o frequentava com as amigas depois do trabalho. O monge e minhas amigas ouviam incansavelmente as minhas lamúrias e ameaças de me divorciar dele. Diziam, “A vida é um caderno de exercícios. Talvez você precise aprender alguma coisa com esse relacionamento. Se você o abandonar, pode ser que depois torne a enfrentar um problema semelhante.” No entanto, eu não podia admitir que os maridos e as esposas tivessem um vínculo particularmente especial. “Duvido que ele e eu tenhamos esse tipo de ligação”, disse, rindo. Mas eles prosseguiram: “Convém você preparar uma lista das coisas que ele fez por você e dos seus aspectos positivos. Sempre que se irritar, antes de criticá-lo com palavras duras, respire fundo. Isso a acalmará.” Deram-me toda sorte de conselhos, desde a culinária até a limpeza da casa. A sensação de que eu precisava fazer alguma coisa aumentou.

Enxergando a verdade
Um dia, uma amiga me emprestou um livro do mestre Okawa, insistindo para que eu lesse determinada seção. Falava das questões financeiras de um casal.

“Quando o poder financeiro da esposa supera o do marido, isto é, quando ela ganha mais do que ele, pelo que eu tenho observado, mais de oitenta por cento desses casamentos acabam em divórcio ou coisa parecida.”

“É justamente o nosso problema”, pensei. Houve um período em que eu ganhava mais que ele.

“A competição entre marido e mulher pode transformar o lar num inferno.”

Essa revelação foi um verdadeiro estalo na minha cabeça. Eu comecei a trabalhar na companhia de seguros a fim de ajudar a pagar as dívidas, mas o meu orgulho de ser capaz de administrar tanto a casa quanto o emprego acabou se transformando, inadvertidamente, num sentimento de competição.

“Se você pensar sempre : ‘O motivo pelo qual o meu trabalho vai tão bem é porque o meu marido é muito compreensivo’, e se você sempre disser isso em voz alta, não haverá rivalidade entre vocês.”

Ocorreu-me que eu nunca havia agradecido ao meu marido. “Preciso ser mais cuidadosa...”, pensei. E, na primeira oportunidade, tentei: “Você quer um café?” “O quê? A h, quero, obrigado.” Ele ficou surpreso, mas quando eu procurei ser gentil, também foi gentil comigo. Pouco a pouco, comecei a acreditar que o princípio “a outra pessoa muda quando você muda” podia ser verdadeiro.

Compreendendo-o
O momento decisivo chegou num seminário da Happy Science de que participei. Eu estava recordando o quanto o nosso relacionamento havia se deteriorado, que eu mudara de emprego pelo nosso bem, mas ele não gostou disso. Como ele podia se zangar justo quando eu estava trabalhando tanto? Isso me irritou de tal modo que eu perdi o interesse por ele. Mas, súbito, lembrei-me dele dizendo que queria pagar o financiamento da casa o mais depressa possível... O meu marido não era negligente com o dinheiro e, pensando bem, aquele investimento fracassado foi o primeiro e último problema financeiro que tivemos. Nessa ocasião, eu me dei conta de que ele não gastara o dinheiro por capricho. Gastara-o porque queria aliviar a carga do financiamento da casa, aliviar a minha carga. Eu passei o tempo todo preocupada com o dinheiro e nunca parei para pensar nos sentimentos dele. Senti muita vergonha da minha arrogância.

Uma mudança no ar
Ao chegar em casa, pedi desculpas imediatamente: “Percebi agora o quanto fui egoísta. Lamento, eu devia ter pensado nas coisas pelas quais você estava passando.” Então ele também pediu desculpas, dizendo: “Eu reconheço que fui bastante irracional, sinto muito.” Uma brisa cálida, a qual fazia tempo eu não sentia, soprou entre nós. Naquele momento, tomei a decisão: ia fazer o possível para que o nosso casamento desse certo.

Comecei por seguir o conselho que me tinham dado no passado. Passei a limpar a casa para que se transformasse num lar ao qual valia a pena voltar. Também tratei de cozinhar com carinho, fazendo os seus pratos preferidos. Para estar em casa nos fins de semana e não ter de trabalhar à noite, mudei de emprego e comecei a trabalhar na administração de uma clínica médica.

Lenta, mas seguramente, vi o meu marido mudar, deixar de ser tenso e contrariado, e se tornar mais gentil e calmo. Dia após dia, eu sentia que estávamos mais sintonizados um com o outro. Foi fascinante vivenciar uma mudança tão real e também uma alegria enorme voltar a ser como éramos quando nos casamos. Creio que a sensação de paz e segurança recuperadas em casa também afetou o seu desempenho profissional, pois, não muito tempo depois, ele foi premiado no trabalho e promovido.


A alegria de ser uma família
Não demorou muito e tivemos nosso primeiro filho em nosso lar. Ver o meu marido arranjar tempo para brincar com ele antes de ir para o trabalho me dava tanta alegria que eu desisti definitivamente de me divorciar. No começo, não acreditava que marido e mulher tivessem um vínculo especial, mas agora acredito. Obrigada, Senhor, porque, se não houvesse descoberto a fé, eu teria trilhado o caminho do divórcio e nunca perceberia que estava me afastando da oportunidade de descobrir o vínculo entre nós e a felicidade de ser uma família.

 
“Lenta, mas seguramente, vi o meu mar ido mudar, deixar de ser tenso e contrariado e se to rnar mais gentil e calmo. Dia após dia, eu sentia que estávamos mais sintonizados um com o outro. Foi fascinante vivenciar uma mudança tão real e também foi uma alegria enorme voltar a ser como éramos quando nos casamos.”
por Shoko Hasegawa
 
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